Avatar (Avatar, James Cameron, 2009)

Assisti Avatar há alguns dias atrás (precisamente dois) e ainda estou tentando processá-lo em minha mente. É absurdamente positivo saber que existem muitos filmes ainda que lhe fazem pensar por algum tempo sobre como as emoções primordialmente saltam da tela , evidenciando o lado psicológico do espectador mais intenso, que muitas vezes permanece suprimido, acalentado, diante de nossa própria vergonha de sermos humanos e apresentarmos como tais, características das quais nos orgulhamos e outras que a sociedade nos impôs como falhas comportamentais.

E que belíssima forma de demonstrar isso Cameron nos presenteou. Contemplando as fotos das criaturas de Pandora como há meses atrás me recordo de um asco instintivo a qual desenvolvi. Um senso de transmissão de megalomania, obsessão pela técnica apurada, algo que enxergava como uma gigantesca perversidade, uma máquina de assimilar dinheiro e ego.  Além do mais, eu não conhecia e nem me importava com a estória, “vítima” da ausência de opinião formulada a respeito por não ter acompanhado nada.

Hoje tudo isso pouco me importa. Se foi verdade ou não, para mim não interessa. Pandora foi concebida como a perfeição da interação com a natureza, o homem integrado, fazendo parte ativa na captação e perpetuação da energia que envolve todos os seres viventes. Em determinado ponto se percebe uma grande rede neural abraçando este fragmento do paraíso (uma tentativa estúpida dos humanos explicarem em termos conhecidos algo muito mais intenso e grandioso que seus minúsculos cérebros).

Em um mundo onde existe sobrevivência, cadeias alimentares e o homem (ou o similar a é simplesmente parte integrante, dele deriva um peso constante e grotescamente difícil de aceitar. É como se houvesse uma troca: você foi agraciado com  inteligência incomum, mas amaldiçoado pela consciência de tudo, dos fluxos de energia completos, em todas as suas subdivisões e vertentes. E nela se inclui a dor da perda e da destruição, não só da prole como naturalmente existe pelos nossos vínculos emocionais comumente estabelecidos, mas também de todo e qualquer ser vivente que propaga esta característica amorfa.

E daí provém os rituais emocionantes de cunho praticamente incompreensível a olhos desatentos daquelas criaturas tão evoluídas (e que justamente por isso chegam a ser tristes por termos nos afastado tanto disso em vista a interesses completamente divergentes e individualistas).

E nesse ponto posso falar do 3D e da perfeição, que parece ser a obsessão de praticamente todos os comentários as quais li até agora. Entendo o 3D por exemplo como uma forma de amplificação dos sentidos que se torna uma poderosíssima forma de interação com os personagens transcendentais em um filme que privilegia e expõe a base de tudo como a interação. Ele funciona (e aqui é importante compreender o que penso sobre a diferença) como forma de sensibilidade da perfeição do mundo fictício criado por Cameron (e não o contrário!). Por duas horas e quarenta minutos você é parte integrada daquilo para depois ser devastado quando a conexão é interrompida e arremessado com pensamentos e reflexões sobre o que realmente somos e pensamos no dia a dia.

Minha sensação real foi a de que eu era, no lugar do ex-combatente aquele que entrava na máquina e sonhava não pertencer ao outro lado. Lindo.

Talvez esse seja um comentário atípico mesmo e essa é a intenção aqui. Não creio que a função do cinema para um cinéfilo seja apenas comentar sobre os enquadramentos geniais, as gigantescas batalhas ou o gasto de x milhões de dólares para a criação de um filme (até porque não tenho conhecimento técnico algum), mas o que de fato consegue nos transmitir e como ele consegue nos emocionar. Esta é de fato a magia para mim.

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~ por mrscofield em 26/12/2009.

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