The Book of Eli (O Livro de Eli, Albert Hughes, 2010)

7,0/10

O texto a seguir contém spoilers

As principais críticas sobre o novo filme estrelado por Denzel Washington advém da utilização da Bíblia como livro salvador do mundo (e porque exaltar o cristianismo, portanto?). Eu também acredito que o roteiro constituiria um filme mais atraente (entitular o livro simplesmente como Book of Eli e deixar por conta do espectador a denominação seria um exercício de sutileza), mas não vejo motivos para falar sobre algo que EU faria e não o que de fato foi apresentado na tela.

Tendo como pressuposto que The Book of Eli é um filme sobre esperança em meio ao caos e a existência de uma força maior e divina como protetora de seu mensageiro e da humanidade, portanto,  funciona muito bem. O universo sombrio, de cores frias e violência constante – como se o Homem se voltasse contra ele mesmo, não só por instinto de sobrevivência, mas também porque a “antiga” psicologia que envolve o instinto de dominação e destaque não fôra abolida, é assustador e incrivelmente triste. A presença de brilhante trilha sonora completa a ambientação magnífica.

A jogada mais bela do filme, entretanto, é mostrar que o mesmo instrumento de salvação é também de dominação quando utilizado por pessoas erradas. O caráter duro e melancólico do protagonista também desconstrói a visão da bondade extrema dos defensores de Deus. Suas posturas diante dos inimigos são fortes, mas honrosas, exatamente como deviam ser.

A meu ver, a atmosfera pós-apocalíptica que confere ameaças por todos os cantos, além de criar uma tensão absoluta (que, no cenário advém dos campos vastos e abertos onde você tem poucos lugares para se esconder, quando o comum é exatamente o contrário) ultrapassa o óbvio contexto religioso e se expande como algo palpável uma vez que a raça humana parece caminhar a passos largos para a destruição com as problemáticas inesgotáveis das guerras, escassez de água e uma sociedade extremamente egoísta e individualista.

Dito isto, e mesmo diante de toda a construção incrível por detrás de tudo, a ocorrência dos clichês, a presença do inimigo estereotipado e unidimensional que fatalmente terá um fim trágico e a necessidade da surpresa e da moral poderosas evidenciam um prejuízo incalculável para o filme. Não há um minuto sequer na qual não esteja claro que se trata de um mundo hollywoodiano (e nem sempre este elemento é de fato degradante, mas nesse caso específico, em uma estória de tanto potencial, incomoda sobremaneira que o potencial não corresponde nem perto ao que é apresentado).

Acredito que como filme, The Book of Eli deixa a desejar, mas nos processos reflexivos e simbólicos, há muito que se discutir. E é por isso que vale tanto a pena assistir.

Anúncios

~ por mrscofield em 03/04/2010.

Uma resposta to “The Book of Eli (O Livro de Eli, Albert Hughes, 2010)”

  1. To think, I was coefsund a minute ago.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: