Carriers (Vírus, Alex & David Pastor, 2009)

5,9/10

“Por que procuras o inferno se tal horror desloca em tuas entranhas em todos os momentos da vida? Ora, o inferno não é a repetição ou o território de chamas dolorosas a qual é apregoado, o inferno é muito pior que tudo: somos nós mesmos”.

Cenários pós apocalípticos vem se tornando cada vez mais comuns na sétima arte. Afinal, a contemplação de temas em voga nas mentes inquietas dos indivíduos críticos e temerosos do que há por vir é terreno vasto para instigar o pensamento, instituir mudanças e aguçar o campo perceptivo.

O mais interessante, entretanto, é que temos nos deparado frequentemente com atmosferas chocantes onde os eventos chave já aconteceram quando o filme se inicia e, portanto o foco muda da situação em si para suas consequências. Em Carriers, filme estreante da semana anterior nos cinemas, partimos da devassidão produzida por uma estranha doença, cuja virulência elevada aniquilara gigantesca parcela dos seres humanos.

Seguimos pois quatro personagens de comportamento perceptivelmente duro e instintivo (mas estranhamente, por vezes incauto), especialmente com o decorrer do tempo de filme. Em busca de um lugar seguro, sem contato com a doença, enfrentam, naturalmente, diversos obstáculos a fim de atingir o objetivo.

O único fator digno de nota de Carriers é a surpresa de as pessoas doentes não se transformarem em zumbis carniceiros, como de costume, mas representarem uma ameaça pontual, pela baixa prevalência dos sobreviventes e pela consciência intocada de seus limites diante do vírus (apesar do sofrimento). Resta então para o desenvolvimento da estória, basicamente, a reação dos quatro indivíduos a suas próprias personalidades. Quando se institui uma tática de sobrevivência cruel, subitamente há um comportamento instintivo oposto ao pensamento anterior quando você se torna a vítima.

No entanto, em uma estória onde o foco são os personagens, há novamente aquela regra básica: a necessidade de carisma. Ou de envolvimento com o espectador. O sentir a angústia, o pânico e o medo diante de uma situação desesperadora. Mas em Carriers isso não ocorre mais uma vez. Rapidamente você deseja ardentemente que todos morram para o filme acabar, pois são minutos torturantes diante de pessoas tão mesquinhas e irrelevantes.

E digo isso, mesmo com a justificativa do ambiente perigoso (e, portanto, os sobreviventes obviamente terem no passado realizado escolhas difíceis, pois o mais forte e o menos sensorial acabam se destacando, infelizmente), a fraqueza de suas constituições psicológicas e dos problemas expostos no próprio filme, geram uma estória que se arrasta, se apóia em um alicerce frágil para os limites evidentes do processo criativo e perde a credibilidade de forma gradativa.

Ora, pois não há que se justificar um roteiro pouco elaborado e personagens estúpidos, mesmo partindo de um plot razoável através do clima inóspito que habita a tela.  E mais uma vez, o que poderia ser, não foi.

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~ por mrscofield em 07/04/2010.

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