Nine Dead (Chris Shadley, 2010)

3,4/10

Um crime motivado normalmente apresenta ou execução débil por ser compulsivo, ou brilhante pelo planejamento de cada passo, uma vez que o “justiceiro” não se considera totalmente culpado, mesmo em sua psicologia complexa, reconhecendo os fundamentos morais de sua possível punição posterior. Na verdade, o direito de punir um cidadão pelo que a comunidade considera crime não contrapõe o sentido da escolha envolvida. O fundamento de tudo é: ninguém é impedido de cometer um assassinato ou roubo, mas deve arcar com suas consequências depois. Esta regra social, no entanto, apresenta um grande furo: a possibilidade das autoridades não descobrirem sobre o agente do ato criminal.

Dessa possibilidade desfilam por hollywood (e, naturalmente, pela vida real) os mais diversos tipos de assassinos e ladrões. Desde aqueles que roubam para alimentar os filhos doentes ou vítimas de inanição até os que criam sofisticados esquemas homicidas para se apoderar de heranças ou seguros de vida vultosos de parentes…hum.. prósperos, digamos.

O filme Saw, de 2004, uma produção aglutinadora de diversas tendências comuns aos anos 80, década de ouro do horror, e uma visão autêntica e amadora (no ótimo sentido) dos novos e inteligentes criminosos, rendeu muitos lucros aos australianos Leigh Whannel e James Wan. Obviamente, o sucesso inesperado de um roteiro tenso e intrigante, mas sem grandes patrocinadores de início, acabou por render 5 continuações (por enquanto) paupérrimas em significado, mesmo com orçamento maior. Elas, naturalmente, nem esbarram na criatividade e lógica de tensão cumulativa do primeiro. São as malditas franquias.

No encalço de Saw, surgiram alternativas estúpidas de explorar o tema do assassino motivado, cruel e inteligente. O problema das variações é que claramente são ecos narrativos mal construídos da obra de Wan. Não há um pingo de criatividade, elemento novo, há excesso de clichês e se aproveita da violência gratuita para tentar causar impacto.

Em 9 Dead todos os piores fatores de uma “cria” estão incorporados à trama. A estória trata de um mascarado que aprisiona 9 pessoas em um local desconhecido. Lá, ele diz que vai matar um a cada dez minutos se não descobrirem a relação que existe entre eles. Naturalmente há um relógio digital medindo o tempo mostrado de forma conveniente a fim de apelativamente produzir suspense no espectador.

Ah, o politicamente correto também está aqui. Temos um negro, uma oriental (que não fala inglês, ooooooooh), um padre, um pedófilo, uma mulher histérica, um policial, um gigolô, enfim, estereótipos aparentemente desconexos (e são mesmo, mas coerente com a exposição de todos os povos, oooooh) com finalidade de esconder o que seria um segredo mortal.

O resultado, obviamente, é um ciclo de personagens completamente desinteressantes, cuja tensão ninguém se importa, que se degladiam em uma batalha contra seus podres escondidos e montam uma relação, aos poucos, tola, imbecil e completamente fora de contexto, uma vez que não proporciona ao espectador a menor chance de acompanhar o desenrolar antes que os personagens montem por si as conexões propostas.

Vergonhosas também as atitudes do assassino que se vangloria em dizer que o planejamento dos eventos havia ocorrido há dois anos atrás quando seu amadorismo em diversas partes do filme evidencia o caráter estúpido dessa afirmativa. O final, inacreditável, deveria entrar como um dos mais ridículos da história recente do cinema.

Devo dizer que espero ansiosamente que Shadley continue sua carreira de câmera longe, bem longe da direção de qualquer filme. Em tempo, devo lembrar que não há originalidade nem no poster, nitidamente dragado da excelente arte de um dos anúncios do brilhante The Descent. Uma catástrofe.

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~ por mrscofield em 19/04/2010.

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