Cutting Moments (Douglas Buck and Others, 1997)

4,7/10

Uma reunião de short movies normalmente apresenta uma diversidade de temáticas com feições bastante desconexas ou de qualidade um tanto questionável. Cutting Moments apresenta cinco contos de horror cujos anúncios só enfatizam a estória título que é muito perturbadora e desvinculada, de certa forma, em poder de produzir desconforto de quaisquer das outras.

As cinco estórias não apresentam um eixo claro de delimitação a não ser a solidão de seus protagonistas de certa forma. Este eixo é desenvolvido desde a veia humorística (mas graficamente sangrenta) de Crack Dog – péssimo, por sinal – passando por uma bandeira de despertar dos jovens presente em Principles of Karma e finalmente atingindo seu ápice com os extremos de seus efeitos psicológicos em Cutting Moments. Falemos sobre cada uma separadamente:

Crack Dog  – 2,2/10 – estória estúpida de um entregador de pizzas que se defronta com uma gang perigosa, sempre em companhia de seu fiel amigo. A despeito de tudo ser incrivelmente idiota, pode trazer gargalhadas involuntárias (apesar de o objetivo ser humorístico) pelo amadorismo e por ser REALMENTE engraçado alguém achar que aquilo é humor.

Don’t Nay Me – 4,8/10 – lembra um conto dragado de Além da Imaginação. Todos os elementos estão lá: a trilha sonora típica, a voz irritante da velha fantasma em busca de vingança, as risadas apavorantes e os personagens claramente perturbados e, que parecem individualmente pertencerem mesmo a um universo de fantasia de cunho negativo. Não funciona muito bem, mas também não é de todo ruim considerando a época.

Bowl of Oatmeal 4,6/10 – Este conto soa, fora o próprio CM, o mais estranho de todos. Baseia-se no ridículo para recriar o universo de loucura do personagem principal. A solidão e os cenários sombrios vinculados aos ângulos inesperados de filmagem trazem um tom também um pouco perturbador a este, que seria acentuado, não fosse a idiotice dos fatores envolvidos.

Principles of Karma 5,6/10 – Este talvez seja o que mais tem a dizer em matéria de objetivo. Discurso social sem perder a característica do filme de desfilar protagonistas estranhos à beira de um ataque psicótico a todo o tempo. Aqui são discutidas questões como o preconceito por ser diferente (se vestir diferente, ser desprezado e ignorado pelos pais, absolutamente alienados) e a vontade de viver. O foco nas questões existenciais, entretanto, é leve e debochado.

Cutting Moments 6,1/10 – O conto de Douglas Buck é muito mais profundo que os anteriores. Ele avalia todas as questões anteriores embebido de uma atmosfera triste, trágica, perpetuadora da situação de solidão patológica, destruição familiar e degradação. Uma mulher que ama profundamente o marido percebe a perda de interesse dele. Na verdade, capta o ódio em seu olhar. Em sua tentativa desesperada de reconciliação e, distante do filho, claramente afetado psicologicamente, promove um evento que atingirá dimensões terrivelmente trágicas, que dissecam a mente do marido de forma implícita e evidencia uma realidade doentia. Cutting Moments é um short movie de horror extremo e não se encaixa nos padrões dos episódios anteriores. Seus minutos finais são altamente perturbadores, mas não adquirem o efeito desejado se não visto de forma íntegra (por isso, nada de youtube, melhor curtir os 25 minutos).

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~ por mrscofield em 20/04/2010.

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