Fado (Radek Piskorksi, 2010)

Empalidecer-se diante dos trôpegos sinais do acaso e, diante de sua intensidade, sobreviver a sua espécie dotada do mimetismo mais imprevisível. Ou permanecer inerte sob a concepção de uma natureza sublime. Natureza esta prevista em cada pequenino detalhe pelas mãos sagradas de uma matéria amorfa que dita o equilíbrio das leis que suprem a ânsia do mundo em simplesmente existir.

Seja pois qual a escolha que lhe acalenta (livre a todo e qualquer ser humano), ambas parecem tender a uma concepção deslumbrante da vida. Provavelmente por serem compostas de pedrinhas cintilantes que brilham delicadamente sob a luz do sol ou do luar, indiferentes às intempéries proporcionadas pelo tempo ou clima. E cada uma faz parte de um complexo e infinito colar que se dobra sobre si mesmo. E quis o universo que sejam estas frações sempre incompletas e inúteis solitárias. Enfim, seja o acaso ou a previsibilidade, ambos os estados possuem um capital fator em comum: não conhecemos o futuro e, portanto, podemos viver o presente,  independente de indeterminações.

Ponderado por uma extrema tensão emocional entre os protagonistas, que percorre cada frame, Fado reconstrói, através de olhos sensíveis e perceptivos, o conceito de esperança. Esperança da superação da solidão e dos problemas cotidianos, do drama da perda, da aventura do desconhecido e das inúmeras variáveis que constituem nossas emoções.

Jamais anunciado em sílabas audíveis (a não ser os inquietantes passos de Ana procurando pela moça) ou expresso em sentimentos explícitos, os personagens parecem expostos apenas internamente ao momento na qual transitam, o que corrói o espectador atônito e perturbado pela “apenas” suposições do que sentem, interagindo intensamente com os “objetos de análise” (sim, às vezes vemos os outros como objetos! Uma postura superior, conhecedora da humanidade e do juízo, árbitro das atitudes e condenadores do que não admiramos). Indescritível, simples, intenso e belíssimo em sua concepção e execução, Fado proporciona uma correlação entre a música melancólica, os cenários entristecidos (criados no contexto da estória) e os carismáticos protagonistas.

Mas não posso deixar de tentar refletir sobre a problemática: qual a diferença entre obsessão, amor, desejo, paixão ou amizade para um observador externo? E a mais linda das perguntas: isso realmente importa para algo magnífico?

Quero deixar aqui registrado meus parabéns para minha amiga Francielly Pierre e um grande abraço a todos os que participaram da produção. Mais emocionante que o curta é se emocionar com o sucesso de nossos amigos queridos. Keep up the good work, pessoal. : )

Ah, lembrando que você pode conferir o curta aqui:

http://vimeo.com/13060799

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~ por mrscofield em 04/07/2010.

Uma resposta to “Fado (Radek Piskorksi, 2010)”

  1. Obrigada pelas palavras Scofa e fico feliz que você tenha gostado, sua opinião foi muito importante!

    valeu!

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