Predators (Predadores, Nimrod Àntal, 2010)

4,2/10

Se você fosse um diretor de cinema, provavelmente sofreria influências de todo e qualquer tipo ou estilo cinematográfico que tenha observado ou comentado em toda sua vivência como espectador assíduo. Seja por admiração, seja objetivamente com o fim de repudiar o aspecto da qual não tenha porventura apreciado, alguns traços com certeza seriam reproduzidos em sua obra.

Sua estória original, no entanto, também abordaria suas principais características pessoais. Talvez a pesquisa sobre a identidade cultural do país que fosse retratar, um mergulho profundo sobre a composição de personagens conhecendo mais sobre suas profissões, imaginando o dinamismo que determina suas atitudes mais complexas de acordo com seu ponto de vista sobre a interação entre lógica e emoção, enfim, a criação de um universo paralelo. SEU, por excelência.

Predadores, filme de Àntal, me lembra bem uma conjunção desses fatores, de certa forma. Não que seja o primeiro filme do diretor, cujo primeiro trabalho data de 1994, mas devo dizer que ainda consegue resgatar esta veia pulsátil de uma equação que possui resposta dupla, como as matemáticas de segundo grau.

As sequências admiráveis, estilosas e fascinantes que sensibilizaram a liberdade criativa do diretor (em um mundo onde tal palavra vem se tornando cada vez mais artifício para se justificar toda e qualquer inserção fílmica) podem ser vistas como grandes homenagens aos trabalhos originais (nesse caso, normalmente as cenas são claramente referenciais, muitas vezes reproduzindo fielmente as ideias) OU como falta de criatividade por parte do autor (normalmente mais sutis).

Felizmente, parece que Predadores se enquadra na primeira categoria, muito embora tenha que admitir que grande parte das cenas soam demasiadamente forçadas e incrivelmente estúpidas. Não é, portanto, necessariamente um elogio suficiente pertencer ao primeiro grupo, apenas uma notação básica, primordial (seria o cúmulo pertencer a segunda, há que se dizer), uma vez que seus desencadeamentos podem não ser satisfatórios também. E aqui não são. Não mesmo.

A perspectiva de tensão em um filme de ação frenético e que dificilmente deixa o espectador respirar funciona muito mal porque todas as propostas que levam à curiosidade do espectador se mostram mal aproveitadas e pouco desenvolvidas. Então o interesse se dissipa. Caso raro de um filme em que de fato acontecem várias coisas e você não se prende do mesmo jeito. Cito como exemplo, dentre os inúmeros no filme: o que um predador poderia fazer com o recurso do aprendizado da linguagem humana, como a princípio parece fazer (aliás, em planos muito interessantes filmados com o ponto de vista dos seres extraterrestres)! No entanto, seres tão evoluídos abandonam tudo rapidamente ao ver que a emboscada por eles preparada não resulta em sucesso imediato. Como assim?Sem contar o personagem interessantíssimo de Fishburne obtusamente deixado de lado ou a cena ridícula dos sobreviventes libertando um predador (cuja vida gira em torno da predação) pensando desesperadamente que ele agiria com a gratidão de um ser humano e ele DE FATO age como tal? Não me surpreenderia se uma cena onde houvesse escambo viesse logo a seguir.

E os clichês? Porque tantos e tão exagerados? Porque têm que estar em TODOS os pontos do filme? Porque todos os personagens têm que adotar estereótipos tão unidimensionais? Porque os predadores soam tão imbecis como um “exército do mal” em Changeman? Por quê…por quê, por quê? Enfim…

Alice Braga não compromete (mas só, não espere muito) e um subaproveitado Adrien Brody (bem vindo à classe dos brucutus) ditam o ritmo de um filme na qual pouco parece se salvar.

Sei que muita gente, mas muita mesmo, vêm se divertindo bastante com o filme. As cenas de ação, o “Morpheus” (e Fishburne por um breve instante lembra o cara durão de Matrix) e a propagação da tensão são muito particulares para cada um. Comigo não funcionou, considero um dos piores do ano. Vergonhoso até. Mas ainda bem que existe pluralidade de opiniões, ou ficaríamos fadados a ver coisas que satisfizessem somente nossos próprios gostos. E aí seria chaaaaaaaaaaaaato demais, não é?

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~ por mrscofield em 01/08/2010.

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