Source Code (Contra o Tempo, Duncan Jones, 2011)

7,0/10

 

A possibilidade de manipulação de eventos passados é uma das maiores demandas do homem. Sempre foi, aliás. Não é nenhum devaneio imaginar que parte significativa das situações traumáticas e casos psiquiátricos que assolam a sociedade contemporânea seriam dissolvidos como por encanto se pudéssemos reverter seus efeitos no tempo sobre nossas personalidades atuais.

Naturalmente, deste argumento advêm inúmeros outros problemas como “como teríamos atingido o nível de maturidade e termos os convívios que temos hoje se não tivéssemos traçado nossos passos de acordo com os obstáculos que superamos?”. É indiscutível que estamos envolvidos em um longo e complexo processo na qual uma mudança de decisão promoveria impactos catastróficos não só sobre nossas vidas, mas de vários seres humanos que talvez nem conheçamos hoje.

É por tanto que considero Source Code um filme relativamente simples.  Acompanhando um personagem que serve a um propósito explícito, desempenhando um papel definido cujas lacunas de sua construção não apresentam grandes aprofundamentos psicológicos, não perde tempo com insights desnecessários ou com situações que não contribuam para a compreensão final da trama. Não é um filme de mistérios, o final é previsível e cumpre ao que propõe, sem descartar uma atmosfera envolvente e adaptada tanto para o expectador descompromissado, que deseja apenas uma emoção no final de semana, quanto para o que busca algo mais. Com a resolução, entretanto, a temática se fecha no universo interior sem grandes impactos, ou com impactos “limitados”.

Gyllenhaal protagoniza o filme como o intrigante Capitão Colter Stevens, cujo destino improvável lhe contempla com uma estranha surpresa: acordar no corpo de um homem desconhecido a bordo de um trem próximo a explodir em 8 minutos. Sem ideia de quem seja, como ou porque está ali, aos poucos descobre os propósitos de sua missão. O tempo vai de aliado a poderoso inimigo em poucos minutos e de acordo com o referencial. Em uma jornada que envolve fluxos de memória situacionais, realidades paralelas e relativo domínio cronológico, não há dúvidas de que as dificuldades serão intensas.

De destaque a bela Michelle Monaghan e o próprio Gyllenhaal em uma atuação correta (embora não tão marcante) e a ótima trilha (especialmente no plano inicial). O final da estória me parece consequência de um filme que jamais “esquentou” tanto a ponto de requerer algo surpreendente ou espetacular e , por isso, funciona bem. Mas fica a sensação de que a concepção de reter as imagens e memórias das pessoas nos últimos 8 minutos de vida poderia ter rendido uma estória muito mais inteligente.

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~ por mrscofield em 02/10/2011.

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